“Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma …”
[Poema XXIX; Alberto Caeiro]
Que verdade seja dita, quem nunca se irritou com o outro porque teve que ouvir “O que você tem?Tá tão diferente hoje.” Ahhh por favor né? Será que nós não podemos apenas estar mais desanimados do que no outro dia? Alberto Caeiro que tem razão, não somos sempre iguais, mas quem nos conhece sabe que continuamos a mesma pessoa, e que não é porque aconteceu alguma coisa diferente no dia que somos outra pessoa, não existe isso.
Essa história de que as pessoas mudam não é muito real.Sim, alguns hábitos e pensamentos podem mudar, mas mudar por completo? Mudar ideologias, mudar o cárater? Isso são coisas que dificilmente são mudadas. A nossa essência é uma só. Não mudamos totalmente, e não importa o que digam: “(…)sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés(…)”.